quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Esse Mundo
E se aquele dia não tivesse chuva
Quem sabe a gente aprendesse espanhol
Também. Talvez um vizinho grande
Será que seriam besouros gigantes
E o velhinho usaria havaianas
Na propaganda com São Cosme e Damião
E o tango tentasse comprar o samba
Imitariamos o silêncio no Canadá
Saci fugiria num pulo pra Bogotá
Perdia tempo, esperava a melhor carne
E hoje deixava pra mais tarde
Tomava uma cerveja, duas, três
Agora a saideira outra vez!
Flor enfeitava o cabelo da morena
A dor e a fome não saberiam de cor
Tomara que tivesse muita ponte
E ao menos amizade nos fosse comum
Se a gente continuasse engatinhando
Corria até você pra assoviar
A canção que o sabiá me cantou
Tu secava as lágrimas do mar
E a saudade pra sempre nossa
Mantinha o mundo na ponta da língua
domingo, 23 de setembro de 2012
Descontrole
Botão por botão
E meu coração
Nu, nada fosco
Ele em pele e osso
Cor de Caetano
E eu dançando
Pelos poucos pelos
Adoro tê-lo
O lençol de lado
A gente enrolado
Esquece o mundo
Se quiser me mudo
Mais pra cá
Cê toca em lá
Mas muda não fico
Sempre te digo
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Proposta em Aliteração
Torta atrás da porta
Tonta de tanto tentar
Desfiz aquele topete
No tom do trompete
Sai debaixo do tapete
Entra e senta
Entre quatro paredes
Agora no parênteses
Pra que partir?
Para pra pensar
Meu presente procê
É privado de um porquê
Dum novo ponto de partida
Ensaiamos passos práticos
Pro parque nos esperar
No entanto, por enquanto
Sossega em segredo sóbrio
Sobre suar, e sentir
Shh... Prosperará...
Entregue, pronto, e sábio
sábado, 15 de setembro de 2012
Way Out
A filosofia não é o bastante
Ali sossega a dor da falta dela
Num livro a liberdade morreu
O amor sempre triunfa na TV
Nas fotografias o riso intocável
O choro deixado pro fim de domingo
Enfrenta o peso de toda segunda-feira
Dura a vida dura, mata a ilusão
Eternidade não é pra nós
Gritam os nós nas gargantas
Abafando a trilha sonora perfeita
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Eternamente, Iolanda.
Minha avó tem o dom da vida, imprescindível para sorrir e fazer sorrir. E hoje me inspiro nela para dar valor às coisas simples, que faz dela o ser humano pelo qual sinto maior orgulho. Dar valor às coisas simples só pode ser um dom maravilhoso, e quando penso em minha avó é de todas essas pequenas coisas que a fazem tão simplesmente alegre que me lembro e guardo com carinho imenso. Nada mais gostoso do que chegar todo dia em sua casa e ouvir "chegou minha netinha!" antes da refeição inigualável que virá, feita com tanta dedicação e amor. É incrível ver como as pitadas de amor que vem em cada garfada são insubstituíveis. Eu adoro a ouvir cantar aqueles sambinhas antigos, cantigas de carnaval. As pessoas querem mais do que precisam e não se satisfazem, não estou fora da lista, mas minha avó aprendeu com a vida a sorrir pra o que pra muitos seria comum, e talvez só assim se pode ser contente e iluminar e unir a família todo dia como ela consegue fazer. Minha avó é um ser autêntico, e vejo amor em tudo o que ela faz, por isso a amo, e sei que ela merece sempre o pedaço do bolo com o morango em cima. Mulher forte e simples, minha avó, um ser inigualavelmente lindo. À desejo música, e vida, porque amor ela já tem de sobra! Te amo, Iolanda! - 19 de julho. Aniversário de 71 anos da mulher mais linda que conheci, minha avózinha.
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