quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Te extraño
As borboletas demoram demais a passar e eu nem lembro se um dia as senti dançar tão agitadas. Pensei em deixar que elas me levassem com a música calma, quase divina no meio de toda'quela fumaça leve mas hoje, velha que sou, as deixei brincar em mim, sozinhas. Há algumas noites sonho que a tua língua e a minha continuam a se entender como se estudadas fielmente, como quem vai à Roma. O combinado, por enquanto, é bem mais perto. Confesso que se fosse pra não voltar me entregaria às minhas vontades E mesmo que logo pare de tocar aquela música, não é contraditório mas, sem explicação, tem uma força leve. É livre.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Quero sentar no banco de praça fincado no chão em frente a sua casa. Quando viro a esquina o tenho como objetivo. Sento, sinto a fumaça quente do meu marlboro de filtro vermelho. Tento lembrar o número do seu apartamento mas meu pensamento caminha junto com as pernas de bandos de paranaenses trabalhadores que passam por mim. Aquela não costumava ser uma rua movimentada quando fazia parte de um mundo nosso, ou ao menos não tenho essa lembrança.
Enquanto caço uma caneta em minha bolsa, fixo os olhos no passado de quando eu não podia entrar nos bares. Me deparo com meu corpo gordinho, num estilo largado e cabelo chanel. O seu alto e fino mas também largado, com o cabelo falhado. Brigavamos por uma colher de sorvete, carinhosamente. O que me choca não é apenas o meu relaxo total mas meus olhos brilhando uma inocência tão distante do que hoje é só real e seco.
O que é que eu poderia dizer? Vou casar mês que vem e sabia que se não fosse agora não poderíamos nos encontrar nunca mais? Eu estou morrendo de medo de encontrar um vazio mais extenso ainda ou de você estar careca, ou seja de qualquer maneira eu estou com medo de encontrar um vazio maior ainda. Dou uma risadinha estúpida com medo de algum estranho ver, só não pude evitá-la inteira.
Dou passos em direção contrária ao seu apartamento. Pego meu carro alugado, amanhã terei que devolvê-lo. Preciso de algo que me relaxe. Ligo o som, canto, acendo um. Você deve ser super careta agora mas eu juro que só faço isso de vez em nunca. O pior abraço que poderia me dar, acho que será esse o de quando nos encontrarmos. Não espero muita coisa, sabe? Só não sei viver sem despedidas. Eu poderia ser mais Alice Ayres ou Jane Jones. Já me despedi tantas vezes de você.
Meu celular toca. É a costureira do meu vestido branco. Está pronto.
Enquanto caço uma caneta em minha bolsa, fixo os olhos no passado de quando eu não podia entrar nos bares. Me deparo com meu corpo gordinho, num estilo largado e cabelo chanel. O seu alto e fino mas também largado, com o cabelo falhado. Brigavamos por uma colher de sorvete, carinhosamente. O que me choca não é apenas o meu relaxo total mas meus olhos brilhando uma inocência tão distante do que hoje é só real e seco.
O que é que eu poderia dizer? Vou casar mês que vem e sabia que se não fosse agora não poderíamos nos encontrar nunca mais? Eu estou morrendo de medo de encontrar um vazio mais extenso ainda ou de você estar careca, ou seja de qualquer maneira eu estou com medo de encontrar um vazio maior ainda. Dou uma risadinha estúpida com medo de algum estranho ver, só não pude evitá-la inteira.
Dou passos em direção contrária ao seu apartamento. Pego meu carro alugado, amanhã terei que devolvê-lo. Preciso de algo que me relaxe. Ligo o som, canto, acendo um. Você deve ser super careta agora mas eu juro que só faço isso de vez em nunca. O pior abraço que poderia me dar, acho que será esse o de quando nos encontrarmos. Não espero muita coisa, sabe? Só não sei viver sem despedidas. Eu poderia ser mais Alice Ayres ou Jane Jones. Já me despedi tantas vezes de você.
Meu celular toca. É a costureira do meu vestido branco. Está pronto.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Quase...
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luiz Fernando Veríssimo
Luiz Fernando Veríssimo
Assinar:
Postagens (Atom)