-O francês Paul Teyssier era professor universitário, ensaísta, tradutor e foi nos anos 70 autor da primeira gramática de português em francês. Estudando pela primeira vez as diferenças do português de Portugal e do português do Brasil.
-Paul Teyssier apresenta em seu livro “História da Língua Portuguesa” a evolução de nossa língua de forma simples a compreensão de seus leitores. Começa pelo contexto histórico da língua portuguesa que teve início após a segunda Guerra Púnica, em 209, quando Roma dominava a Península Ibérica e com exceção dos bascos, todos começaram a utilizar o latim.
-502 anos depois os muçulmanos invadem a Península Ibérica e incluem em seu território a Lusitânia. A Gallaecia falava árabe e eram também chamados de Mouros. Teyssier descreve e ressalta o quanto a dominação muçulmana foi importante e determinante para o mapa lingüístico, formado por línguas que nasceram no Norte e que com a reconquista dos romanos, também foram levados ao sul. Essas línguas eram principalmente o galego-português a oeste, o castelhano e o Catalão a leste.
-O galego-português passa por grandes transformações até chegar ao nosso português. Apesar de não haver vestígios de documentos lingüísticos entre o intervalo das invasões germânicas e muçulmanas, Paul Teyssier nos apresenta uma linha evolutiva nos permitindo dar continuidade a história do nosso português.
-O latim bárbaro era apenas falado mas acabou por influenciar a língua escrita, o latim imperial. Essas novas palavras mostram a inclusão e evolução de palavras populares na língua. Mais para frente, o latim imperial transformando-se em língua proto-romance faz surgir novas fronteiras lingüísticas. Isolado de todas as outras línguas faladas na Península Ibérica, o galego-português surge durante o período entre o século IX até o século XII. Seus primeiros documentos escritos aparecem apenas no século XIII.
-Isola-se Portugal da Galícia no século XII, e com isso o centro de Portugal passa a ser o sul, e foi durante esse período que o galego-português se espalhou pelas regiões meridionais onde antes falava-se dialetos moçárabes.
-Foi no século XIV que se deu início a prosa literária no galego-português, quando essa já se tornara língua exclusiva de alguns praticantes. Para o melhor entendimento de seus leitores o autor nos cita exemplos de textos da língua que no momento estudamos. Inclusive podemos perceber nitidamente as diferenças do galego-português para o português atual.
-O autor explora o vasto campo do vocabulário e suas diversas origens. As línguas germânicas, penetradas anteriormente no latim, acabam por aparecer também no português e no espanhol. A influência moura deixou no vocabulário português e no espanhol diversas palavras, hoje arcaicas para nós mas a maior parte delas foram substantivos. Além destas temos influência do bilínguismo, luso-espanhol. Os portugueses cultos usavam o espanhol como segunda língua entre o século XV ao XVII. Após o período de dominação espanhola é que surge uma reação anti-espanhola. Temos também grande influência francesa através do iluminismo.
- O galego começa a se desvincular com o português a partir do século XIV. Então desdo século XVI o galego começa a ser visto como provincial e arcaico.
-Apenas no capítulo três é que começaremos a estudar o português europeu até chegarmos ao atual. Em 1350 o português torna-se língua de Portugal. Entre Lisboa e Coimba o português moderno se constitui, surgindo daí suas principais transformações permanentes, formando normas.
-As grandes navegações iniciadas por Potugal no século XV fez com que o português se expandisse por vários territórios. Hoje o português é a única língua oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Além de ser uma das línguas oficias de outros territórios.
-Mais adiante Teyssier nos relata o português contemporâneo, fixado entre os séculos XIII e XIX. Evoluindo muito a respeito da sintaxe e morfologia de seus verbos principalmente.
-Percebemos com essa leitura que seu autor teve amplo interesse, análise e o escritor francês dominava o que escreveu sobre nossa língua, o português, incluindo seus inúmeros dialetos.
terça-feira, 29 de junho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
Sem Fantasia
Vem, meu menino vadio, vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia, que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos, vou te envolver nos cabelos,
Vem perde-te em meus braços pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco, vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero to...do meu

Ah, eu quero te dizer que o instante de te ver custou tanto penar
Não vou me arrepender, só vim te convencer que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar, eu quero te contar das chuvas que apanhei
Das noites que varei no escuro a te buscar
Eu quero te mostrar as marcas que ganhei nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus, e agora que cheguei eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa dos carinhos teus
Chico Buarque de Hollanda
Vem, mas vem sem fantasia, que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos, vou te envolver nos cabelos,
Vem perde-te em meus braços pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco, vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero to...do meu

Ah, eu quero te dizer que o instante de te ver custou tanto penar
Não vou me arrepender, só vim te convencer que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar, eu quero te contar das chuvas que apanhei
Das noites que varei no escuro a te buscar
Eu quero te mostrar as marcas que ganhei nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus, e agora que cheguei eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa dos carinhos teus
Chico Buarque de Hollanda
Sem Porquês
Quero esquecer que dia
E em que ano estamos
Na chegada voltar
Quero perder o medo de mim
Ou prefiro ter muitos mais
Não gosto de trocar pontos finais
Quero lembrar que já não importa
Enxergar fora da nuvem
Sem pensar onde poderia pousar
E em que ano estamos
Na chegada voltar
Quero perder o medo de mim
Ou prefiro ter muitos mais
Não gosto de trocar pontos finais
Quero lembrar que já não importa
Enxergar fora da nuvem
Sem pensar onde poderia pousar
terça-feira, 22 de junho de 2010
Memória da Pele

Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha carne da sua boca, coração
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei, não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca, coração
João Bosco
*Primeira música que eu realmente adoro desse cara aí.
Vamos ver.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Saramágico

Não sei para que serviria deixar claro o tamanho de meu aborrecimento a respeito de sua morte. Então o que mais eu poderia fazer senão agradecer os 16 romances impecáveis que nos deixou, além de outras tantas peças teatrais, contos e poesias? Pois, esquecido jamais poderá ser. Afinal, é Saramago. Lá se vai mais um amor.
Eu luminoso não sou
Eu luminoso não sou. Nem sei que haja
Um poço mais remoto, e habitado
De cegas criaturas, de histórias e assombros.
Se, no fundo poço, que é o mundo
Secreto e intratável das águas interiores,
Uma roda de céu ondulando se alarga,
Digamos que é o mar: como o rápido canto
Ou apenas o eco, desenha no vazio irrespirável
O movimento de asas. O musgo é um silêncio,
E as cobras-d'água dobram rugas no céu,
Enquanto, devagar, as aves se recolhem.

Espaço curvo e finito
Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.
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