Calada e inquieta, Noemi lembra-se de não estar depilada. Coisa que pouco homem suporta é mulher peluda. Sem saber o que fazer, decide fingir desmaiar. Sabendo que um homem de negócios não gostaria de ser encontrado em um hotel com uma prostituta, ainda mais desmaiada, logo sairia do quarto e não alertaria ninguém sobre o ocorrido. Então após tirar sua blusa, cai.
Noemi enganara-se sobre o homem, era um pobre escritor no dia do seu aniversário. Não havia notado as paredes descamando tinta velha. Apenas se concentrara no dia em que quase foi morta por estar com pêlos nas axilas. Imaginou então que a fúria seria maior se a região fosse outra, impossível de esconder enquanto exerce seu trabalho.
Na madrugada anterior, pensara em se matar como em todas as outras noites desde que começou a se prostituir. Era jovem demais e há alguns anos havia se formado em música numa universidade pública qualquer que a levou sair da cidade pequena para que fosse procurar oportunidades na capital. Passou alguns dias com o pouco dinheiro que seus pais puderam lher dar, procurando por emprego. Desiludida, com seu diploma de baixo do braço, morta de saudades de seus queridos, sentara-se no fim da tarde num bar que vendia fiado. Ali Noemi passou muitos finais de dia indignada pela falta de valor que davam praquele papel que carregava pra todo lado. Não havia escola, nem bares que a quisessem. Acabou pedindo emprego pro dono do bar, para poder além de pagar suas contas, beber mais.
(continua)
sábado, 30 de maio de 2009
Cap. II
Próprio do espírito sorumbático é andar sempre calado: tagarelar é o encanto e a alma da vida. (LA CHAUSSÉE)
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Disarm
Vê se te desarmas enquanto estiveres comigo
És tu quem dizes que sou o amor
Digo o mesmo e ainda repito
Que portanto contigo estarei desvestida
Do que não preciso
"Quero que desprendas
de qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear
Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar..."
(Maria Rita - Menina da Lua)
És tu quem dizes que sou o amor
Digo o mesmo e ainda repito
Que portanto contigo estarei desvestida
Do que não preciso
"Quero que desprendas
de qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear
Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar..."
(Maria Rita - Menina da Lua)
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Lindíssima
No começo parecia rata e pretedia chamá-la como o nome da música que Caetano diz "você foi rata demais" mas cada dia que passava ela ia ficando mais linda. Virando uma bola, quase foi chamada de Joa Soares ou Mortadela. Ela perdeu todos os irmãozinhos, porque a mãe saiu de casa e foi ter filho na rua. Eles morreram todos afogados pela chuva. Só ficou a minha Bongôzinha. Ela mamou todo leite que aquelas tetas rezervavam pra cinco e no começo a gente suspeitou que ela não tinha cú, porque ela chegava cada dia mais perto de explodir e nunca encontramos uma merdinha dela. Depois de um tempo começaram a aparecer e ela não deixou de engordar. Portanto, ela sempre teve cú abertinho, e depois que as perninhas começaram a aguentar aquele peso todo ela pulava muito feliz quando a gente chegava. Uma vez a gente chegou e não achavamos ela e a encontramos deitada na rede lá fora, se balançando. Inacreditável. Agora mais uma chuva levou embora mais um filhote da Sofia. Tomara que o céu de cachorros tenha redes e muita comida.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Homenagem ao 403

Que saudade de subir dois andares, talvez errar o lado do corredor, voltar e tocar duas vezes seguidas aquela campainha como senha. Assim de pijama mesmo, levar um CD bom pra gente sair fumar na varanda, morrendo de frio até com casaco do Hitler. Fingir que não percebia alguma coisa e ficar horas falando sobre as minhas paixonites. Cantar milhões de vezes a mesma música que cantamos o ano inteiro e as vezes variar pra um Chega de Saudade. Ficar olhando vocês estudarem enquanto eu falava disparadamente e atrapalhava vocês e a boa educação que receberam não deixava que me mandassem pra puta que pariu, como eu faria se fosse o contrário. Saudades de ver A Favorita e ficar nervosa junto com vocês e de novo sair fumar na sacada. Fazer festinhas de surpresa, ou colocar o máximo de cerveja que podiamos na bolsa pra passar escondido na portaria. Aquilo era pesado e nunca era o tanto certo. Entrar sambando patéticamente durante a abertura da Grande Família, bêbada. Pensar sobre o que eu vou ser nessa vida, enquanto mais novas que eu já tem suas certezas. Ouvir aquela música no violão e a encheção de saco pelo interfone por causa do nosso barulho. Nossos dias eram quase todos iguais mas naquele lugar existiu isso que fez valer a pena. Saudades do último dia que nós três choramos igual retardadas. Tomara que a gente passe no vestibular e fique perto logo. A promessa espero que ainda esteja colada na geladeira. Ah! Esqueci de citar algo muito importante, que era comer o melhor arroz com frango da face da terra. Saudades, porra.
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