quinta-feira, 12 de abril de 2012
Rio
Posso esperar nosso tempo voltar, pelo jeito não terei outro caminho. Como ainda não tive escolha de não me encontrar no meio de duas correntes, de dois séculos nos quais não vivi. Ou, ao menos, não com esse corpo. Sou duas. Palavras novas, velhas, se misturam pra te explicar num vocabulário que não me pertence. Eu quero a sua língua. Grandes olhos me comem nessa paisagem inacreditável. Juro, eu esperava bem menos, não pelos dizeres. Imagino agora o que vai ser voltar a ser bem só. Mergulho meus pensamentos nos próximos mares que veremos, pra não inundar teus abraços de minhas lágrimas desesperançosas e árduas de quem acha o que procura, mas não pode possuí-lo. Quero mais coragem. O passado me ensinou a gostar de desafios, mas eu não quero ter que fechar os olhos pra te ver. Cabeça navegante, eu peço a cidade, o pecado do gosto que tem de se querer sempre mais. Trocaria o pretendido, pelo mais incerto, até a cor do meu futuro automóvel, mas a coragem me falta. Eu posaria nua todo dia.
terça-feira, 6 de março de 2012
Tanta Estrada, Tanta Estrela
Ela nunca pensou que fosse querer tanto um livro que já tinha em uma língua que não é a sua própria língua materna. A esperança segurava o choro, procurava soluções, nunca as encontrava. Esperava, esperava. Os soluços talvez chegassem só no fim, mas que fim mais indeterminado, impossível, impossível, possível. Sabia que se o livro fosse comprado e lido com atenção, junto aos risos e carinhos que imaginava, e sentia falta a todo instante, tudo sairia como ela sempre quis, ou mais importante ainda, como eles sempre quiseram. Pensava cinza, ouvia Thom Yorke, olhava a foto dele na parede. Tentava focar no teatro. Inesquecíveis cabelos negros limpos. Inefáveis suspiros. Sabia que aquilo era uma coisa boa, pois há quanto tempo não se deixava entregar, e ele lhe dissera algo parecido com isso. Então não esquecia, retornava, retomava, sufocava, porque queria a sobrevivência. Há quanto tempo só se empenhava na morte? Os olhos sorriam. Ela quis perder o avião.
"Se nada nos salva da morte, que ao menos o amor nos salve da vida." P. Neruda
"Se nada nos salva da morte, que ao menos o amor nos salve da vida." P. Neruda
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Agora é só saudade.
Desejei tanto a volta. Quando ela finalmente se aproximou, eu não pude evitar querer o contrário muito mais intensamente.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Nada Feito
Nada feito. Não se aprende a programar. Já se nasce com certo nível de dom, ou não. Ela perdeu um, dois ou mais onibus. Gravou outro nome na parede, que não era o meu. E eu perguntei, louco, escondendo em meus lábios mansos o desespero. Disse que era história inventada, e como ainda não havia escrito o segundo nome que já era previsto para estar junto daquele, resolveu que não escreveria o seu. Escreveu dois nomes quaisquer, como João e Maria ali gravado para sempre. Só pra que quem lesse, romantizesse o que nunca foi romântico. Aquilo passou com a intensidade dos nossos risos cotidianos, mas voltou a me atormentar quando ela começou a reclamar todo o tempo dos meus piores ou até dos mais fracos defeitos.
Eu comecei a inventar também, alucinações. Botava as mãos, os pés e o coração no fogo. Eu caminhava sob um mar de lembranças que eu desacreditava totalmente. Jurava que eram histórias. Algumas eu cheguei a contar pra ela. No começo ria, baixava os olhos. Depois me maltratava aos berros, e eu não entendia o propósito. Então um dia cansou, chorava e dizia que eu havia ficado louco, que deveria me deixar, mas não podia.
Não podia porque motivo? Se sentia culpada? Eu a maltratava com aquelas lembranças. Caía aos prantos e reafirmava "são só alucinações da sua cabeça." Transavamos com fervor, nunca mais com carinho. As risadas, viraram sorrisos amarelos pra momentos inevitáveis, como o de ver ela vindo em minha direção. Um dia a convenci de darmos vida àqueles personagens da parede, escrevemos um conto. Ela gostava de inventar histórias, e eu a fiz parar. Não me sentia culpado porque ela poderia ter evitado, poderia não ter me aceitado assim.
Um belo dia, ai! que ironia, sedi às minhas vontades, o impulso. Virei-lhe um tapa na cara enquanto cantarolava. Morreu de susto. Gritava em pleno estado de surto, desacreditada, vermelha. Me batia no peito com o punho fechado, feito um tambor. Eu me deliciava com suas palavras. Ela não acreditava! Ela estava tendo alucinações, eu deveria a deixar. Mas depois ficou mansa. Disse que éramos iguais e gozou de amores por si própria. Eu gozei pelo mesmo motivo de sempre.
Eu comecei a inventar também, alucinações. Botava as mãos, os pés e o coração no fogo. Eu caminhava sob um mar de lembranças que eu desacreditava totalmente. Jurava que eram histórias. Algumas eu cheguei a contar pra ela. No começo ria, baixava os olhos. Depois me maltratava aos berros, e eu não entendia o propósito. Então um dia cansou, chorava e dizia que eu havia ficado louco, que deveria me deixar, mas não podia.
Não podia porque motivo? Se sentia culpada? Eu a maltratava com aquelas lembranças. Caía aos prantos e reafirmava "são só alucinações da sua cabeça." Transavamos com fervor, nunca mais com carinho. As risadas, viraram sorrisos amarelos pra momentos inevitáveis, como o de ver ela vindo em minha direção. Um dia a convenci de darmos vida àqueles personagens da parede, escrevemos um conto. Ela gostava de inventar histórias, e eu a fiz parar. Não me sentia culpado porque ela poderia ter evitado, poderia não ter me aceitado assim.
Um belo dia, ai! que ironia, sedi às minhas vontades, o impulso. Virei-lhe um tapa na cara enquanto cantarolava. Morreu de susto. Gritava em pleno estado de surto, desacreditada, vermelha. Me batia no peito com o punho fechado, feito um tambor. Eu me deliciava com suas palavras. Ela não acreditava! Ela estava tendo alucinações, eu deveria a deixar. Mas depois ficou mansa. Disse que éramos iguais e gozou de amores por si própria. Eu gozei pelo mesmo motivo de sempre.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
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