quinta-feira, 17 de junho de 2010

Coragem


"Como falar sobre livros que você nunca leu" é o nome do livro que eu encontrei no meio da sessão sobre educação em letras, na minha livraria preferida. Ri, abandonei aquele de 30 reais, "História da Língua Portuguesa" e comprei meu primeiro Kafka. Confesso que se eu cagasse dinheiro, compraria aquele livro desgraçado só pra ver como em menos de 200 páginas alguma personalidade inimaginável pôde pensar que conseguiria resumir infinitas orações e finalmente fazer com que qualquer ser humano pensante acreditasse nele. No fim das contas essa criatura, que não fiz questão de gravar o nome, fez algo besta o suficiente para se tornar interessante. Só juro que não perderia meu tempo com tal livro brutalmente inútil e escolho outro, considerada uma das melhores obras do século XX, quase tão inútil quanto. A diferença é que me tira do meu mundo e não me faz passar vergonha. Imagine ter um livro desses na estante, que medo. Seria ele só, coitado. Talvez menos pior do que ter mais de um Caio Fernando de Abreu. Dessa fase já passamos, ainda bem. Se for da sujeira prefiro Buk, até Mirisola.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sem Fôlego

Pra que a pressa? Não antecipa todo passo, tenho pernas curtas e precisaria correr. Então eu cansaria tão rápido que ninguém perceberia. Não eu. Não você. Não mais. Eu quero a malandragem de se saber ser e viver aqui. Quero falar, ouvir. Quero meia hora. Quero madrugadas. Quero mais de meia cerveja. Quero choro e quero riso. Eu quero graça. Pra isso é que tempo não há. Não gosto de guerra, quero romances. Vinicius e não berros de vozes agudas. Eu não gosto de "Estação das Chuvas" mas quem sabe você gostaria. Preciso entender mas não estou aprendendo nada. Não mais. Só nó.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ê Rapá

Meu Deus, ele não sabe nada
Ele não sabe calar
Ele não sabe tocar
Meu Deus, o que eu quero escutar
O que eu quero sambar
Ele não sabe dançar

Ei Deus, não quero vê-lo ensinar
Acordes que eu vou cantar
Eu quero é desafinar
Ô Deus, será que pode mudar
O tom de fá pra lá
O sol de lá pra cá

Seu Deus, acho que vou apelar
Pr'algum santo orixa
Vir e me ajudar
Ah, Deus, precisa se controlar
Aprender a deixar
De me importunar

Ei Deus, não quero vê-lo ensinar
Acordes que eu vou cantar
Eu quero é desafinar
Ô Deus, será que pode mudar
O tom de fá pra lá
O sol de lá pra cá


(letra novíssima de nossa mais nova música)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Flag


Não procurei perfeições e sim força. Eu quero colorir paredes, cravar na pele, ver sangrar. Não espero enxergar no escuro, não iludo. Estou consciente de nosso estado. Algum dia entendo palavras que nunca foram ditas. Calo, igual é simples beijar os meus, doando liberdade. Só que dói, eu gosto de falar. Gemo e de repente pergunto do jazz. Ainda tem tanto pra descobrir, mas é que quero presenciar, se não perco a cabeça em caminhos milagrosamente deixados. E de manhã nos braços dos abraços dá uma saudade da nudez de ontem, então eu sussuro. Vejo medo refletido naquele mel todo. A gente quase que morre todo dia, justamente por viver. Não pelo sangue estar correndo, mas pelo nosso estar pulsando vermelho vinho. Eu queria por alguns instantes não estar cega pra poder mostrá-lo isso. Só que falando a verdade, se acendessem a luz, eu cobriria meus olhos. Não resistiria. Estou esperando, esperando pra gente gozar e gastar a vida enquanto desembaraçamos o seu cabelo e bagunçamos o meu de novo.
Quero um bombom de brigadeiro antes de ir aprontar as malas.

terça-feira, 1 de junho de 2010

S

Eu que sempre tive dor de cabeça pós-doce, descobri um que não dá enjôo e ainda tem toque de amargo. Tipo leite com açucar e algumas gotitas de café, e pra completar teria dois suspiros ao lado. Pode ser também banana ou maçã com brigadeiro e coca-cola com muito gelo. Eu não sei bem do que eu queria falar, mas era tipo uma satisfação imensa com algo que eu nunca achei que fosse gostar tanto. Jamais fui do doce. É. Não tô pra escrever hoje. Deixa pra lá, essa fica inteirinha pra mim. Boa noite.